Tudo errado. Geralmente, uma coisa ou outra eu faço errado na véspera da prova. Pela primeira vez, foi tudo. Nem morri, mas não quero dar mole pra kojak outra vez. Saca o drama: TPM, calor, subidas, lombar, joelho e só três horas de sono. O pacote foi para encarar os 8km da Corrida Caminho Niemayer. Em NITERÓI!
Cheguei a tempo de pegar a barca das 7h. Em cima do laço total. Consegui estar na largada na hora da largada. Saí normal pra forte e mantive o ritmo nos dois primeiros quilômetros. Claro que foi tudo despencando à medida que as passadas eram dadas e que nem a pilulinha black do @dubapegoretti deu jeito. Fora a subida, que fez meu joelho direito doer. Exato: o outro joelho. Andei sem o menor pudor. Afinal, foi uma sequência mega desgastante de sobe-desce-sobe-desce. Para completar, o retorno foi bem no meio da descida; parecia que a gente ia capotar na curva.
Well... a medalha tá lá em casa e, apesar de eu ter achado, várias vezes, que o tempo seria superior aos meus 10k sem andar, nem foi. Valeu, Araribóia!
segunda-feira, novembro 21
sexta-feira, novembro 18
4ever alone
Nunca pensei que fosse correr. Hoje faço 10k direto, sem morrer, e já encarei até 10 milhas. Quando comecei nesse negócio aí, achei que não fosse muito longe. Imaginava que criaria uma espécie de diogodependência e nunca na vida pudesse dar um passo numa pista sem ter o treinador do meu lado, apoiando, controlando minhas passadas, me lembrando a estratégia montada, dando aquele empurrãozinho. Mas as metas foram sendo alcançadas e foram mudando (ou melhor, evoluindo) naturalmente. E hoje corro sozinha.
Não imaginava que fosse me adaptar, mas aconteceu. Hoje, até confesso que prefiro assim.
Isso, na verdade, não é muito diferente do que aconteceu comigo a minha vida inteira. Correr sozinha é um processo tão natural que parece até que sempre fiz assim. Mas, parando para pensar, é só o resultado dos conhecimentos bem transmitidos. Eu explico...
Se eu arrumo minhas coisas, cozinho, vivo, é porque fui muito bem orientada pelos meus pais. Estudo, analiso, compreendo, tiro conclusões graças à boa educação que tive. Fui bem preparada para correr. É muito provável que não pare mais. Mesmo estando pouco disciplinada nos treinos.
Quando corremos com alguém (exceto o treinador), as chances de se iniciar um bate papo são enormes. Não corro por performance, mas acho que isso me atrapalha. Preciso estar concentrada, perdida em meus pensamentos, para respirar direito, para manter o ritmo das passadas, para não desistir. Aliás, correndo é a única hora em que sinto que não divago (perceberam?). Porque sou dessas mesmo, não escondo.
Consegui criar uma rotina dentro da corrida para mim. Treinos de tiro não têm música; rodagem e provas pode. Mas quando a coisa fica feia, nas corridas, eu tiro o fone do ouvido para ouvir a voz do treinador dentro da minha cabeça. A subversiva aqui precisa de ordens para correr "direito". Fazer o quê, néam?
Não imaginava que fosse me adaptar, mas aconteceu. Hoje, até confesso que prefiro assim.
Isso, na verdade, não é muito diferente do que aconteceu comigo a minha vida inteira. Correr sozinha é um processo tão natural que parece até que sempre fiz assim. Mas, parando para pensar, é só o resultado dos conhecimentos bem transmitidos. Eu explico...
Se eu arrumo minhas coisas, cozinho, vivo, é porque fui muito bem orientada pelos meus pais. Estudo, analiso, compreendo, tiro conclusões graças à boa educação que tive. Fui bem preparada para correr. É muito provável que não pare mais. Mesmo estando pouco disciplinada nos treinos.
Quando corremos com alguém (exceto o treinador), as chances de se iniciar um bate papo são enormes. Não corro por performance, mas acho que isso me atrapalha. Preciso estar concentrada, perdida em meus pensamentos, para respirar direito, para manter o ritmo das passadas, para não desistir. Aliás, correndo é a única hora em que sinto que não divago (perceberam?). Porque sou dessas mesmo, não escondo.
Consegui criar uma rotina dentro da corrida para mim. Treinos de tiro não têm música; rodagem e provas pode. Mas quando a coisa fica feia, nas corridas, eu tiro o fone do ouvido para ouvir a voz do treinador dentro da minha cabeça. A subversiva aqui precisa de ordens para correr "direito". Fazer o quê, néam?
segunda-feira, novembro 7
sábado, novembro 5
Finalmente, 10k
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| A-ha, u-hu / Perimetral é nossa! |
Chegada a hora, a Lei de Murphy resolve estacionar. Bem na semana da prova, bateu um desalento, um desânimo quase incontrolável. Acho que era puro cagaço.Conversei com o treinador; já havia rolado um mega apoio naquela prova de 9k em Niterói. Mas aquela sensação estranha continuava, e os números nos treinos não estavam ajudando. Foi uma queda significativa nos resultados e, até agora, não sei se puramente por medo, cansaço, calor ou tudo junto e misturado. Não sei. Até via Facebook rolou aquela orientação psicológica, mas eu continuava tensa.
Rio de Janeiro já a 40ºC, eu me borrando de não conseguir cumprir minha meta. Minha fixação, naquela semana, foi com os sites de previsão de tempo. Garantiam chuva para o fim de semana, com nuvens espessas e queda na temperatura começando na sexta. No sábado, o céu ainda estava de brigadeiro. Calor exalando. E toca pegar kit aqui, ali, dia chato, negócio de velório do amigo do marido... E nada de conseguir falar com treinador. Manda SMS, liga. ele não etende; ele liga, eu não escuto o celular tocar. Foi gato e rato, viu. Resultado: fui correr em pânico, sem minha preleção, confiança zero.
Por volta de quatro da matina, acordo com um barulho de deixar cabelo da nuca em pé. São Pedro estava providenciando aquela mudancinha de clima pra mim, cheio dos exageros. Caiu um puta temporal no Rio. Pensei que a corrida ia babar. Resolvi nem levantar da cama para espiar pela janela; virei pro lado e peguei no sono de novo, porque né. Levantei às 5h30, com um dia lindo: nuvens pesadas, ventinho frio e asfalto molhado.
Nunca corri na chuva. Pelo menos não numa chuva de molhar tênis, meia e tudo mais. Só peguei garoazinha uma ou duas vezes em treinos e uns pinguinhos de nada na WRun. Peguei o caminho do Aterro, encontrei cazamiga e pernas pra que te quero. A essa altura, as nuvens já sumiam do céu e o sol começava a dar as caras, embora um tanto pálido. Dada a largada, a gente vai se desvencilhando dos outros; gosto de correr sozinha, prefiro que não me puxem e, muito menos, que me empurrem. Mas, desta vez, Aline ficou ali ao alcance dos meus olhos. Explico: estávamos as duas para fazer os 10k. A esperta aqui deu uma de Isabel Cristina (piada interna, sorry) e nem olhou o percurso no site do circuito. Achei, não sei por que cargas d´água, que seria igual aos demais 10k que rolam pelo Aterro. Que nada... Tinha surpresa à minha espera.
Fomos em direção ao Santos Dumont. Pensei "beleza, daqui a pouco pinta o retorno". Tô vendo aquela massa de corredores subindo a perimetral, lá longe, e ninguém voltando pela outra pista. Imaginei que eram todos atletas de 21k. Um minuto depois, vi que era um absurdo aquela linha de pensamento: "como assim NINGUÉM nos 10k". Aquilo começou a me dar uma neura. "Putaquepariu, perdi o retorno, caralho". "Quê que eu vou fazer, MELDELS; 21k eu morro no meio do caminho, cacete". Procurava a Aline e ela estava ali, logo à minha frente. "Estou no caminho certo"! Mas como?! A organização da prova resolveu dar um presentinho pros corredores: subir a perimetral. Presente de grego, néam?!
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| Momento de hidratação |
Claro que água eram dois copinhos - um para dentro e o outro para a cabeça. A boa notícia é que dali para frente começaria a descida. Embora o cansaço diminua, os cuidados precisam ser quase os mesmos que na subida, para evitar lesão. Não dá para empolgar e pensar que "pra baixo todo santo ajuda". Quando dei por mim, já chegava aos 8k, em novo posto de hidratação. Solzinho mais animado. Tentei aumentar o ritmo quando saí da perimetral e peguei o plano do Aterro. Mas estava cansada e tive medo de quebrar e botar tudo a perder. Tentei controlar o ritmo de maneira que ficasse beeeem confortável. Ficou tão confortável que cheguei, 1:15 depois da largada, parecendo que tinha andado 100 metros. Leva a mal não...
Liguei para marids, para minha mãe e mandei um torpedão pro treinador. A resposta veio rápida. E muito bacana:
Muito feliz por você! Mais uma meta que você alcançou... Isso prova sua força. Foi uma vitória sua e fico satisfeito em ter participação nela! Que esse momento fiquei de lição na sua vida... quando você quer uma coisa de verdade, você consegue, basta ter coragem para encarar os desafios! Parabéns!
Diogo da Matta


