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    terça-feira, dezembro 8

    Um ai, Jesus!

    .. ele me mata,
    me maltrata, me arrebata.
    Que emoção no coração!


    O 6 de dezembro entrou para a história como mais um dia inesquecível nos corações e mentes de mais de 35 milhões de pessoas espalhadas mundo afora — depois de um jejum de 17 anos, o Mais Querido conquista o hexacampeonato brasileiro no futebol e o mundo, que andava estranho nas quase duas últimas décadas, retoma seu curso natural.

    Foi um dia de emoções desconexas, indescritíveis. Do amor ao ódio, da tristeza à alegria, do desespero à alegria, da desesperança à vitória. Calor e frio ao mesmo tempo, confiança e incredulidade no mesmo olhar, riso e lágrimas nos mesmos rostos. Haja coração!

    Minha epopeia começou cedo. Especialmente pra mim, tratando-se de um domingo. Às 11 da manhã, levantava, trôpega, depois de uma noite bem dormida a poder de antialérgico — ziquezira resultante de uma semana de 300 dias de ansiedade pura. Crente que estava abafando, parti para o bairro do Maracanã para chegar nas redondezas bem cedinho. Ainda tinha gente sem ingresso. E assim ficaram, enfim... Mas o trânsito já estava complicado, por volta de 12h30, no finalzinho de Vila Isabel, ali na altura da Praça Niterói.

    Para todo lugar que se olhasse havia pelo menos uma camisa rubro-negra. Carros já passavam com bandeirões e buzinas, alguns tocando músicas alusivas ao Flamengo em alto e bom som. Meu telefone vibrava de cinco em cinco mitutos. Pelas ruas que desembocam na São Francisco Xavier já dava para ver a fila quilométrica que se formava nos portões de acesso ao Maracanã. O mundo inteiro estava ali.


    A tragédia que se desenhava desde cedo acabou não acontecendo. Pelo menos não para mim. Muita gente ficou barrada na catraca do Maraca por causa de ingresso falso, um bando do torcedores sofreu o diabo para conseguir entrar no estádio, teve quem desmaiasse, teve quem tomasse porrada, pedrada, spray de pimenta na lata. Nós, graças a Deus, só tomamos um pequeno susto: o de que talvez não conseguíssemos entrar para participar daquele momento histórico de um dos maiores espetáculos da Terra.

    Confesso que peidei na farofa. Quando senti que o bicho ia pegar, pulei fora, joguei a toalha, tirei meu time de campo. Pela primeira vez na minha vida, a multidão me assustou de verdade e eu senti medo do que pudesse acontecer ali naquela confusão mais que anunciada. Largamos uns conhecidos no meio da muvuca que talvez no início da tarde tivesse sido uma fila. Tentamos a sorte, mas demos de cara com uma praça de guerra que se instalou no Belini. Ouvimos tiros de bala de borracha, vimos a 'fumaça' do gás lacrimogênio subir do chão e corremos quando pessoas e policiais a cavalo dispararam em nossa direção. Foi a gota d´água. Eu não queria passar por aquilo...

    Pedimos abrigo por meia hora (se muito) na casa de uma amiga que mora pertinho do Maraca. Foi o suficiente. Quando ganhamos o entorno do estádio pela segunda vez naquele dia, a sensação era de que as cenas de uns pares de minutos antes tinham sido mesmo um pesadelo. Nem carro passava mais. A multidão só pode ter entrado por meio de sucção!

    Em cinco minutos estávamos na arquibancada. Não fomos para o 53, mas a Magnética era a mesma em qualquer ponto do Maracanã. Naquele dia, o 53 estava, na verdade, espalhado por todos os cantos do estádio, e acredito que foi essa energia que formou a rede necessária para empurrar o time para a vitória, mais uma vez.


    Além do pentratri estadual, 2009 trouxe o hexa brasileiro pro Flamengo.

    Com certeza, um ano inesquecível. Que provavelmente hei de esquecer um dia, para pesquisá-lo no grande 'pai' Google...

    Só eu mesma.
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    Item Reviewed: Um ai, Jesus! Rating: 5 Reviewed By: Débora Thomé
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