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    quarta-feira, agosto 18

    Viva a sociedade

    Por favor, não tomem como esnobismo, não. É só uma questão de (muito, mas muito mesmo) bom senso: maravilhosos mesmo são os franceses e os ingleses (e escoceses, é claro!). A cada dia que tenho que andar de metrô, subir no ônibus, enfrentar a fila no banco ou simplesmente esperar o atendimento no balcão da padaria ou da farmácia, reforço essa certeza. Brasileiro não sabe, de maneira alguma, viver em sociedade.

    Somos mal educados, porcos, entrões, barulhentos, espaçosos, irritantes. Totalmente sem-noção!

    Uma prova disso, tive na semana passada, na academia. E, banheiro de academia, sabe como é, né... uó. Tem aquelas que pensam que estão sozinhas e se enxugam demoradamente e peladonas em frente ao espelho, tem aquelas que pensam que estão sozinha e ocupam o espaço de duas e, às vezes, três pessoas, tem aquelas que pensam que estão sozinhas e ligam ou desligam o ventilador quando bem entendem, sem perguntar se as pessoas que estão ali (hello-ou!) se importam ou não com o vento a ausência dele.

    Mas, pior mesmo, são aquelas que têm certeza que estão sozinhas e entram na cabine onde ainda estão os seus pertences. Assim mesmo, sem mais nem menos.

    Explico...

    O banheiro da academia tem três cabines para o básico xixizinho, em frente à pia, quatro chuveiros (só dois deles com água quente) e mais duas cabines privativas para troca de roupa, além da área comum, onde estão dois espelhoes, dois ventiladores mega, os armários de ferro e três bancos de madeira ripada. Geralmente, uso essas cabines quando tomo banho por lá. Geralmente, é no mesmo horário em que as velhinhas da hidroginástica estão invadindo o benheiro. Geralmente, rolam problemas. Comigo, diretamente, foi a primeira vez.

    Cheguei, peguei minhas coisas, arrumei minha roupa e deixei minha mochila na bendita cabine. Peguei sabonete, toalha, chinelinho etc, fechei a portinha da cabine e fui tomar minha ducha. Saí, me troquei e peguei algumas coisas para guardar no meu armário. Da cabine até o armário e, de lá, de volta à cabine, devo ter demorado um minuto, sei lá; foi bem rápido. Não lembrava de ter fechado a porta, porque estava com as mãos cheias. Por isso mesmo é que não levei a mochila e mais uma ou outra coisinha para fora da cabine. Empurrei a porta e senti resistência. Uma voz lá dentro (?!) disse:

    - Peraí, estou mudando de roupa!

    Achei o tom ríspido. Como assim?! Minhas coisas ainda estavam dentro da cabine. Foi o que pensei e falei em voz alta, um tanto perplexa com o abuso. Empurrei de novo, dizendo que queria minhas coisas, que ainda estavam lá dentro, e a maluca abriu a porta, puta da vida.

    Respirei fundo e resolvi usar a inteligência emocional para não perder a razão. Afinal, quem gostaria de ter uma estranha com seus pertences trancados num quadradinho de, sei lá, 1,5 por 1,5m? Elevei o tem de voz ao mesmo tempo que o abrandei:

    - Olha, só, minha senhora, se tem alguma coisa dentro da cabine, o mínimo que a boa educação manda é perguntar de quem é, se vai demorar. Não pode entrar assim e prender minhas coisas lá dentro.
    - Ah, a cabine é sua é?!
    - Olha, enquanto minhas coisas estão lá dentro, é sim. Não custava nada a senhora perguntar. Eu estava a meia dúzia de passos dali. Acho muita falta de educação o que a senhora fez, para ser gentil...
    - Eu não vejo nada de mais. Estou com pressa, não tinha ninguém lá dentro. Uso mesmo!
    - Quem sou eu para ensinar um pouquinho de boas maneiras à senhora, não é mesmo?! Mas eu insisto: podia ter perguntado. Há pouca coisa que não se consiga sem uma boa dose de educação!


    Saí. Ela saiu atrás, falando que tem gente na academia que pensa que é dona do mundo só porque paga, que ela também pagava, que tinha tanto direito quanto eu de usar. Naquela altura, já passávamos pela piscina, onde a turminha dela já aguardava o início da aula. Geral olhando para minha cara. Ela deve ter me apontado, só pode. Para seu azar, coitada, o gerente da academia estava ali parado. Resolvi não ficar calada. Respirei fundo e busquei nas profundezas do meu ser meu tom mais calmo de voz.

    - Olha só... se eu vejo que tem alguma coisa dentro da cabine privativa, não entro. Mas esta sou eu. Simplesmente porque não gostaria que fizessem isso comigo. O que não adiantou muito, né, porque a senhora fez. Gosto de respeitar o espaço alheio. Entendo que a maioria não faça isso, mas não posso ficar calada quando me sinto invadida. É uma questão de bom senso, na minha opinião. Repito: o mínimo que a senhora deveria ter feito era penguntar de quem eram aquelas coisas e se a pessoa demoraria para tirar dali, já que estava com tanta pressa...
    - Ah, faça-me o favor, né... agora eu vou ter que ficar perguntando tudo para usar um espaço que eu pago tanto quanto você para usar?!


    Dito isso, ela olhou para a cara do gerente, que estava quieto, só vendo a discussão, e emendou:

    - Você acha que eu preciso pedir permissão para usar a cabine do banheiro?!
    - Se a senhora está me perguntando, respondo que eu faria o mesmo que ela e, por uma questão de bom senso, não usaria.


    Falei nada. Olhei pra cara de tacho dela, abri os braços e fiz uma cara de "tá vendo, babaca?". Olhei em volta, falei bom dia pro gerente, virei as costas e fui embora feliz e contente!
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    0 comentários:

    Item Reviewed: Viva a sociedade Rating: 5 Reviewed By: Débora Thomé
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