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    segunda-feira, setembro 8

    Tudo azul!

    Foi a presença do 'seu' Helinho que fez Paulinho da Viola parar ao nosso lado no Portelão, sábado. Nascido e criado nas redondezas, o cara ajudou a escrever boa parte da história da escola mais vezes campeã do carnaval carioca. Nesta quarta, ele pode se tornar o 'mais novo' integrante da Velha Guarda. Algumas passagens contou pra gente, entre um samba e outro. Uma espécie de prévia para o programa de domingo. Ou estopim, se cair melhor.

    Mas, antes, preciso abrir parênteses.

    (O Mistério do Samba, documentário que retrata a história e o cotidiano dos integrantes da Velha Guarda da Portela – tradicional grupo de veteranos sambistas da escola de samba que detém o maior número de títulos no carnaval do Rio de Janeiro – tem direção de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor. Marisa Monte é produtora, co-roteirista e uma espécie de apresentadora no filme; uma coadjuvante de luxo, juntamente com Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. E não tem nada a ver com o livro, homônimo, de Hermano Vianna)

    Quem me conhece, sabe que não assisto a documentários no cinema. Acho, simplesmente, desperdício de tempo e espaço... dinheiro jogado fora. Documentário? Ah, isso eu vejo na TV. Só que os tempos são outros para quem já veste cor-de-rosa... E essa minha 'certeza' não poderia ter caído por terra em melhor estilo.

    Conhecer a história de alguns dos componentes de um dos mais tradicionais grupos de compositores de escolas de samba é uma lição de vida. O filme dura 88 minutos. Em menos de uma hora e meia, relatos e canções levam o espectador mais desavisado às lágrimas. Não sei se é poesia, se é melancolia... o mais certo, talvez, deva ser sentimento, pura e simplesmente, a melhor tradução para o que quase se concretiza através da telona, apesar de impalpável.


    O Mistério do Samba teve início em 1998, quando a cantora Marisa Monte pesquisou a obra musical da velha guarda da Portela para a seleção do repertório de seu CD Tudo Azul. Em dez anos foram rodadas mais de 200 horas de filme. A trilha sonora contém 53 músicas, quase todas de artistas que foram ou ainda estão na velha guarda.
    A cena da roda de samba, gravada na Portelinha, com toda a Velha Guarda cantando junto com Marisa e Zeca Pagodinho, é antológica. Os duetos da cantora com Paulinho da Viola, momentos que guardam uma reverência impressionante, são de arrepiar. Mas nada é tão revelador quanto o contraponto que faço questão de frisar aqui: o encerramento do filme, na roda do 'miudinho', e a cena em que as pastoras cantam, à capela, com Marisa Monte, Quantas lágrimas.

    As personagens centrais — Áurea Maria, Cabelinho, Casemiro da Cuíca, Casquinha, David do Pandeiro, Edir Gomes, Guaracy Sete Cordas, Jair do Cavaquinho, Marquinhos do Pandeiro, Monarco, Neide Sant’Ana, Sergio Procópio, Seu Argemiro, Tia Doca, Tia Eunice, Tia Surica e Timbira — são, na maioria, velhos com uma estrada de vida longa, sofrida, cheia de dificuldades e de decepções. Têm sofrimento até pela proximidade da morte, que levou dois deles, Jair do Cavaquinho (1922-2006) e Argemiro do Patrocínio (1923-2003), antes mesmo que o filme chegasse aos cinemas.
    Enfim... sem tristeza não há samba bom.
    ****
    QUANTAS LÁGRIMAS
    Manacéa
    Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado
    Só em saber que não posso mais
    Reviver o meu passado
    Eu vivia cheio de esperança
    E de alegria, eu cantava, eu sorria
    Mas hoje em dia eu não tenho mais
    A alegria dos tempos atrás
    Só melancolia os meus olhos trazem
    Ai, quanta saudade a lembrança traz
    Se houvesse retrocesso na idade
    Eu não teria saudade
    Da minha mocidade
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    Item Reviewed: Tudo azul! Rating: 5 Reviewed By: Débora Thomé
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